terça-feira, 21 de outubro de 2008

Morte de Eloá: Mais um acaso de violência contra a mulher

E enfim é enterrada a jovem Eloá, 15, assassinada pelo ex-namorado. Mantida refém em sua própria casa, Eloá foi vítima do chamado "crime passional", que é quando a vítima é morta por 'amor' ou 'ciúme'. O que nesses casos as pessoas chamam de 'amor', eu chamo de sentimento de posse.

Apesar de algumas pessoas acharem que isso é paranóia de feminista, o caso de Eloá e tantos outros que acontecem, refletem sim o machismo e o patriarcado. Várias(os) amigas(os) com quem conversei disseram que isso não tem nada a ver, que mulher também dá xilique quando não quer teminar namoro. Mas isso é uma forma muito superficial de ver as coisas. Para mim, é a violência contra a mulher na sua face mais primitiva.

Estou fazendo uma seleção de matérias para a ong em que faço estágio. Todos os dias vejo os jornais 'Diário do Nordeste' e 'O Povo' (o site está fora do ar, por isso sem link), e toda semana (quase todos os dias, para dizer a verdade) sai uma notícia de uma mulher assassinada ou agredida por um homem com quem manteve relacionamento. Ou então, é caso de ciúme ou de rejeição. A grande maioria das notícias são publicadas no cadernos sobre o interior do estado do Ceará.

Isso não pode ser coincidência. Basta parar e refletir sobre a cultura machista e no teor violento das relações de gênero. O menino é criado para não ser 'besta', não levar desaforo para casa, se fugir de uma briga na escola, é logo taxado de 'bicha'. Nos programas de humor, o homem traído é sempre ridicularizado com a velha história da honra ferida. Já a mulher que trai é a vagabunda, a fatal. A que merece apanhar.

Homens que agridem mulheres(verbalmente ou fisicamente) por ciúme são o tipo que acreditam que elas "não têm o direito de terminar", que "se não for comigo não é com mais ninguém", etc. É o tipo de homem que vê a mulher como propriedade sua, como rebanho. E a sociedade legitima isso quando repassa esses valores para seus filhos.

Eloá foi a única?

3 comentários:

Graziano disse...

blog interesante

lola aronovich disse...

Claro que Eloá não foi a única. Mas geralmente o homem mata a mulher na hora, não depois de cinco dias de cativeiro. Tempo mais que suficiente pra polícia ao menos ter tentado fazer alguma coisa...
www.escrevalolaescreva.blogspot.com

Michelly Nunes disse...

PARABÉNS!seu blog está muito bom. Espero que você continue postando após a disciplina...